quarta-feira, 17 de março de 2010

Isolada do mundo exterior .

Não era como diziam. Era pior. Muito pior.

Não havia quadradinhos. A luz não escasseava. Simplesmente, não existia. Era tudo escuro. Preto. Negro. As quatro paredes estavam húmidas. Escorriam água, literalmente.

Não há saída. A porta está fechada a mais de sete chaves.

Não como há cinco dias. Cinco dias e quatro noites. Esta é a quinta noite que cá estou. Presa. Isolada do mundo exterior.

Duas vezes por dia, abrem uma pequeníssima janela ao cimo da porta e atiram uma garrafa com água. Tem sabor. Um sabor horrível. A bafio, a bolor. Preferia não beber. Mas a sede é demasiada. Não tenho tempo para ser esquisita. É a única coisa que tenho. O meu único sustento. Sem a água, já estaria morta.

Não fiz nada. Não sou culpada. Sei que sou inocente. Nunca faria o que me acusam. Nunca. Foi uma cilada. Tenho a certeza disso. Mas ninguém me ouve. Ninguém acredita em mim. Ninguém me leva a sério. Acham que sou mentirosa. Acham que sou louca. Mas não sou. Não sou! Simplesmente, não estava em mim. Mas a culpa não era minha. Obrigaram-me. Não a matar. Só a beber aquilo. Aquele liquidozinho. Parecia inofensivo. mas tornou-se a minha sentença. Descontrolei-me. E tudo por causa daquilo. Por causa dele. Ele era o culpado. Era ele.

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