sábado, 27 de março de 2010

Mudança .


Sim, estava tudo ao contrário. Nada estava como devia. Tudo estava do avesso, de pernas para o ar.

O sol não brilhava. A água dos rios não se dirigia aos mares e oceanos. As folhas das árvores não caíam. As plantas não cresciam. Os pássaros não cantavam. As crianças não riam. Os pais não davam as mãos aos filhos. Os namorados não se beijavam. Os adolescentes não se apaixonavam. Os amigos não se encontravam. Os jovens não saíam à noite.

Nada estava como devia. Nada. O mundo tinha mudado. E eu fazia parte dele.

Eu não era a mesma. Não tinha querido mudar. Simplesmente acontecera.

Acordei e estava diferente. Definitivamente, tinha mudado. Toda a alegria, toda a energia, todo o amor, tudo, tinha ido contigo. Só deixas-te uma coisa: esperança.

Com ela irei erguer-me. Irei à tua procura pelo mundo fora. Irei encontrar-te em parte incerta. Irei conquistar-te como no início. Irei fazer com que voltes para mim, com que volte a ser o mesmo. Irei mudar o Mundo, outra vez.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Isolada do mundo exterior .

Não era como diziam. Era pior. Muito pior.

Não havia quadradinhos. A luz não escasseava. Simplesmente, não existia. Era tudo escuro. Preto. Negro. As quatro paredes estavam húmidas. Escorriam água, literalmente.

Não há saída. A porta está fechada a mais de sete chaves.

Não como há cinco dias. Cinco dias e quatro noites. Esta é a quinta noite que cá estou. Presa. Isolada do mundo exterior.

Duas vezes por dia, abrem uma pequeníssima janela ao cimo da porta e atiram uma garrafa com água. Tem sabor. Um sabor horrível. A bafio, a bolor. Preferia não beber. Mas a sede é demasiada. Não tenho tempo para ser esquisita. É a única coisa que tenho. O meu único sustento. Sem a água, já estaria morta.

Não fiz nada. Não sou culpada. Sei que sou inocente. Nunca faria o que me acusam. Nunca. Foi uma cilada. Tenho a certeza disso. Mas ninguém me ouve. Ninguém acredita em mim. Ninguém me leva a sério. Acham que sou mentirosa. Acham que sou louca. Mas não sou. Não sou! Simplesmente, não estava em mim. Mas a culpa não era minha. Obrigaram-me. Não a matar. Só a beber aquilo. Aquele liquidozinho. Parecia inofensivo. mas tornou-se a minha sentença. Descontrolei-me. E tudo por causa daquilo. Por causa dele. Ele era o culpado. Era ele.

domingo, 14 de março de 2010

Fim do Mundo .


Há alturas que só quero morrer. Sinto-me fraca, excluída, inútil. Sem dúvida que a morte é a solução. Sim, a única solução.

Cansei-me de lutar. Lutar para quê? Para depois ficar sem forças e ficar vulnerável. Qualquer um me pode magoar. Não que me importe.

Eu quero sofrer. É a única maneira de sentir que ainda estou viva. Sim, sou masoquista. Sim, gosto de sofrer. É doloroso mas é melhor que nada.

Tudo na minha vida desabou. Fiquei sozinha e perdida. Nunca conheci os meus pais e nunca me fizeram falta. Tinha a avó Manuela e não precisava de pais. Ela dava-me o mesmo amor e dedicação. Agora é diferente. Agora preciso de pais. Sem a avó, não tenho mais ninguém. Ela desapareceu e não irá voltar. A Sofia foi para o Dubai. Fez família e deixou-me. Não a censuro. Mas agora preciso dela. Da minha melhor amiga. Não tinha mais amigas. Nem amigos. O Rodrigo fartou-se. Provavelmente nunca foi meu amigo. Não cheguei a descobrir. Agora já é tarde. Tenho de esquecê-lo. Eu amo-o. É verdade. É intenso, diferente. Sempre que o via, acreditava que tínhamos futuro. Ele dava-me a entender isso. Os meus olhos brilhavam quando ele me fitava. E eu via o brilho nos seus olhos cor de mar. Os seus beijos eram ... Nem sei! Só sei que o último foi urgente. Senti a sua dor. Eu sei que ele estava a sofrer. Mas ele não me contou. Simplesmente despediu-se.

Nunca mais o vi. Passaram dezoito meses. Nada. Continua tudo igual. Não tenho mais forças. Quero desistir. Quero morrer.

sábado, 13 de março de 2010

"Nós"


Tinha acabado de anoitecer. Haviam poucas estrelas no céu e a lua estava escondida. Estava a ficar frio. Senti um arrepio. Esfreguei os braços para o sangue circular.
Senti uns passos suaves atrás de mim mas continuei a observar o céu. Estava completamente preto à excepção de uns pontinhos brilhantes muito pequenos. A lua começava a mostrar-se, brilhante e radiante como todas as noites.
Ele suspirou. Um suspiro longo e suave. Demonstrava alguma alegria mas a tristeza era nula.
Comecei a sentir o calor emanado da sua pele. Era reconfortante. Senti outro arrepio e depois mais calor. Ele passou o braço por cima dos meus ombros e senti-me melhor.
A lua brilhava e mostrava a sua beleza. O silêncio reinava naquele momento. Não era constrangedor. Deixei cair a cabeça no seu peito e senti o seu hálito caloroso na minha cabeça.
Depois de tanto tempo, era bom tê-lo ao meu lado, sentir o seu calor. Aos poucos, voltei-me a sentir protegida.
Foi então que ele interrompeu o silêncio:
- Tinha saudades tuas. - murmurou-me ele.
- Eu também.
E o silêncio voltou. Ambos olhávamos para a lua até que senti o seu olhar fixo em mim. Ainda não estava preparada para encarar o seu olhar. Ele estava à espera. Sentia a sua ansiedade. Até que olhei para ele. Aqueles olhos, de cor castanho-avelã, fitavam-me. O seu sorriso foi surgindo até ir de um canto ao outro da sua cara. Sentia a alegria dele e eu própria também me sentia assim. Era óptimo estarmos juntos novamente. Não. Era perfeito. Parecia que nada daquilo tinha acontecido. Parecia que ele sempre estivera aqui, comigo. Parecia que tudo tinha sido um pesadelo.
Os meus pensamentos foram interrompidos. Os seu lábios abriam caminho entre os meus. A ansiedade daquele beijo era notável. Ele esperara muito por aquele momento. E eu também. Esqueci tudo. Concentrei-me só no presente, só naquele momento.
Entreguei-me plenamente enquanto ele me envolvia nos seus grandes braços. Definitivamente, senti-me segura com ele.
Deixei-me ir e senti que desejava aquilo tanto como ele.
Os nossos corpos moldavam-se um ao outro enquanto a noite nos envolvia.
A lua brilhava como nunca.

domingo, 7 de março de 2010

Escrever

Porquê que decidi criar este blogue? Boa pergunta.
  • Primeiro porque apeteceu-me. Meti na cabeça que iria criar um blogue e tive meesmo de criar.
  • Segundo porque amo escrever. Sim, não paro de ler e escrever histórias.
É um hobbie como outro qualquer e tou-me a lixar para quem me critica por isso.
E vou publicar aqui todas as minhas historiazinhas xD
Espero que gostem e se não gostarem .... paciência !