sábado, 13 de março de 2010

"Nós"


Tinha acabado de anoitecer. Haviam poucas estrelas no céu e a lua estava escondida. Estava a ficar frio. Senti um arrepio. Esfreguei os braços para o sangue circular.
Senti uns passos suaves atrás de mim mas continuei a observar o céu. Estava completamente preto à excepção de uns pontinhos brilhantes muito pequenos. A lua começava a mostrar-se, brilhante e radiante como todas as noites.
Ele suspirou. Um suspiro longo e suave. Demonstrava alguma alegria mas a tristeza era nula.
Comecei a sentir o calor emanado da sua pele. Era reconfortante. Senti outro arrepio e depois mais calor. Ele passou o braço por cima dos meus ombros e senti-me melhor.
A lua brilhava e mostrava a sua beleza. O silêncio reinava naquele momento. Não era constrangedor. Deixei cair a cabeça no seu peito e senti o seu hálito caloroso na minha cabeça.
Depois de tanto tempo, era bom tê-lo ao meu lado, sentir o seu calor. Aos poucos, voltei-me a sentir protegida.
Foi então que ele interrompeu o silêncio:
- Tinha saudades tuas. - murmurou-me ele.
- Eu também.
E o silêncio voltou. Ambos olhávamos para a lua até que senti o seu olhar fixo em mim. Ainda não estava preparada para encarar o seu olhar. Ele estava à espera. Sentia a sua ansiedade. Até que olhei para ele. Aqueles olhos, de cor castanho-avelã, fitavam-me. O seu sorriso foi surgindo até ir de um canto ao outro da sua cara. Sentia a alegria dele e eu própria também me sentia assim. Era óptimo estarmos juntos novamente. Não. Era perfeito. Parecia que nada daquilo tinha acontecido. Parecia que ele sempre estivera aqui, comigo. Parecia que tudo tinha sido um pesadelo.
Os meus pensamentos foram interrompidos. Os seu lábios abriam caminho entre os meus. A ansiedade daquele beijo era notável. Ele esperara muito por aquele momento. E eu também. Esqueci tudo. Concentrei-me só no presente, só naquele momento.
Entreguei-me plenamente enquanto ele me envolvia nos seus grandes braços. Definitivamente, senti-me segura com ele.
Deixei-me ir e senti que desejava aquilo tanto como ele.
Os nossos corpos moldavam-se um ao outro enquanto a noite nos envolvia.
A lua brilhava como nunca.

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