
Há alturas que só quero morrer. Sinto-me fraca, excluída, inútil. Sem dúvida que a morte é a solução. Sim, a única solução.
Cansei-me de lutar. Lutar para quê? Para depois ficar sem forças e ficar vulnerável. Qualquer um me pode magoar. Não que me importe.
Eu quero sofrer. É a única maneira de sentir que ainda estou viva. Sim, sou masoquista. Sim, gosto de sofrer. É doloroso mas é melhor que nada.
Tudo na minha vida desabou. Fiquei sozinha e perdida. Nunca conheci os meus pais e nunca me fizeram falta. Tinha a avó Manuela e não precisava de pais. Ela dava-me o mesmo amor e dedicação. Agora é diferente. Agora preciso de pais. Sem a avó, não tenho mais ninguém. Ela desapareceu e não irá voltar. A Sofia foi para o Dubai. Fez família e deixou-me. Não a censuro. Mas agora preciso dela. Da minha melhor amiga. Não tinha mais amigas. Nem amigos. O Rodrigo fartou-se. Provavelmente nunca foi meu amigo. Não cheguei a descobrir. Agora já é tarde. Tenho de esquecê-lo. Eu amo-o. É verdade. É intenso, diferente. Sempre que o via, acreditava que tínhamos futuro. Ele dava-me a entender isso. Os meus olhos brilhavam quando ele me fitava. E eu via o brilho nos seus olhos cor de mar. Os seus beijos eram ... Nem sei! Só sei que o último foi urgente. Senti a sua dor. Eu sei que ele estava a sofrer. Mas ele não me contou. Simplesmente despediu-se.
Nunca mais o vi. Passaram dezoito meses. Nada. Continua tudo igual. Não tenho mais forças. Quero desistir. Quero morrer.
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